Armas de Corte – A busca interminável pelo Yang
Treinamento, suor e atenção às pequenas coisas da vida
Uma das principais filosofias orientais se baseia na dualidade dos opostos complementares do universo, o Yin e o Yang. Não existem sozinhos e quando um atinge seu ápice se transforma em seu oposto.
Observando a natureza, os orientais chegaram a essas conclusões filosóficas. Puderam perceber que o Yin se expande e o Yang se contrai; O Yang é a luz e o Yin a falta dela, a sombra; O Yin vem facilmente, sem esforço algum, mas para chegar ao Yang é necessário trabalho árduo. E é sobre isso que iremos estudar em Armas de Corte.
A busca eterna pela perfeição
O praticante de Armas de Corte deve buscar a perfeição de seus movimentos, tanto dos membros do seu corpo quanto da arma que carrega. Para se aproximar desta perfeição são necessários muito treino e diversas repetições dos movimentos, portanto muita energia Yang é gerada quando se pratica esta modalidade.
Para efetuar um bom corte é necessário que a angulação da lâmina da espada esteja a mais perfeita possível, assim ela não sofrerá resistência durante o movimento. Não é algo fácil controlar a arma desta maneira, é necessário transformá-la em uma parte do próprio corpo, e mesmo assim, manejá-la com a exatidão necessária para um bom corte exige experiência, o que mais uma vez nos leva a necessidade da prática incansável.
Carregar uma arma de forma natural durante um combate, que exige uma série de movimentos rápidos e precisos, requer uma estrutura muscular preparada do espadachim. Não existem pré-requisitos para se praticar as Armas de Corte na escola de Pa-Kua, isso quer dizer que todas as aulas precisam ter bom treinamento físico, pois assim os músculos necessários para essa movimentação serão desenvolvidos lentamente junto com a experiência. Em pouco tempo, o praticante começa a sentir a diferença em seu corpo, o Yang já começou a agir.
Pensar que depois de algum tempo de treino a perfeição será atingida é um erro, pois tal coisa não existe neste mundo. O 100% Yang ou 100% Yin são utópicos, sempre haverá um dentro do outro, como o próprio símbolo do Tai Chi nos demonstra. Nas palavras do Mestre Superior Fernando Sandri: “A busca pelo Yang é uma luta a qual nunca iremos vencer, porém não desistiremos jamais”.

Por que lutar uma ‘luta perdida’?
Não deve-se entender esta frase literalmente, pois quando buscamos o Yang estamos sempre vencendo. Quanto mais Yang o ser humano conseguir ter, mais fácil será para que atinja a longevidade.
Quando nescemos somos muito Yang e naturalmente vamos envelhecendo, ou seja, nos tornando mais Yin. É o ciclo do Tai Chi, o Yang se torna o Yin que se torna o Yang. Quanto mais estivermos atrás de buscar o Yang, melhor será nossa qualidade de vida.
Buscar o Yang fora do tatame
Não é apenas com um uniforme e uma espada na mão que podemos buscar o Yang. O praticante deve começar do mais básico. A higiene pessoal, um uniforme limpo, cabelo arrumado, barba feita, são todas pequenas coisas que exigem certo esforço para acontecerem. Uma barba grande e mal cortada não necessita de esforço para ser mantida, por isso podemos considerar algo mais Yin.
Acordar cedo exige esforço? E arrumar sua cama? Praticar todos os dias? E assim por diante. São nas pequenas coisas que vamos transformando nossas vidas em algo Yang. É importante pensar nisso e descobrir o que mais se pode fazer para tornar a vida mais Yang e continuar nesta batalha com toda a força!
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Olá! Meu nome é Caio Ribeiro, sou praticante de Pa-Kua Armas de Corte na academia do Juveve.
Adorei o texto, muito bom mesmo, me fez rever varias coisas que faço, ou que não faço, no meu dia a dia. Estou na faixa laranja e to passando pra verde em janeiro, vou começar o Yang fora do tatame também, depois disso =D
Abraço e parabens, mais uma vez!
Esqueci de dizer, mas sou de Curitiba, na academia do Juveve. D=